• Leila Kelly

Cólera


Junção de cores, de dores. Encontro de forças que levam a eclosão. É mais que raiva, não é fúria, é reação.

É o efervescente instantâneo da bala mentos jogada na coca cola. É a cara fechada, que treme e esquenta de tanto sentir. É a voz que já não consegue expressar o que está no peito: é o desespero do ódio, é o desespero no ódio.


O coração bombeia com indignação o sangue pelo o corpo. Alta velocidade; sem freios; sem cintos de segurança. É o impulso que quebra a vidraça com o peso de anos de dor.


A cólera é o revide e é bonita de ver, mesmo que cause desconforto. Tem cor de peçonha, tem cheiro de ferro, calor de fogo, dureza de rocha. É cor. É dor. É explosão.

Obra: da série "Instante Presente", Cólera.

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São Paulo - Brasil