• Leila Kelly

Sabe do que eu gosto? De ver a caneta Bic acabando...

Dá a maior sensação de dever cumprido. Aliás, doido isso, né?! A caneta... Ela acaba, mas vai deixando os rastros por aí. Olha só! Dá pra fazer uma super analogia, veja bem:


Cada pessoa é uma caneta. Tem gente e caneta de várias cores. Umas chegam, se tornam sua preferida até você não a querer mais ou ela estourar na sua mão. Outras você experimenta de vez em quando, mas não te convencem, nem te conquistam. Algumas são aquelas coringas, você sabe que se todas as outras falharem você tem ela.


Tem aquela que você paga caro para tê-la e, de repente, ela some. SOME! COMO PODE?! Algumas você acha na bolsa, não sabe nem de onde veio, mas ela acaba sendo a sua caneta oficial por um tempo - e às vezes você nem sabe o porquê. E tem aquelas transparentes, como a Bic. Com ela não tem meias palavras, te mostra o interior, é clara e transparente; sincera. Você vê a tinta acabando, ela não te esconde que tudo tem um fim; esfrega a verdade nua e crua na sua cara.


Então você assiste essa evolução, observando ela te acompanhar, te ajudar, mas o preço dessa parceria é alto, é ver que ela está acabando. A finitude está ali representada. Enquanto isso acontece você fica na dualidade entre “meu Deus tá acabando o que eu vou fazer sem você?” e “que orgulho de te ver chegando ao fim, concretizando sua missão na vida. Não te perdi no processo, não te emprestei, não te esqueci. Cuidei de você e fui com você até o fim!", e quando o fim chega, você permanece com essa sensação de vitória: "Conseguimos! Chegamos até aqui, juntas!", mas mesmo assim, bate um tristeza de não poder mais contar com essa parceria.


Cristalina como se nunca tivesse havido vida naquele tubo, ela vai, mas te deixa linhas, rabiscos, desenhos, desejos, brigas e memórias no caminho. Ela te lembra que sempre vai ter alguém para estar do seu lado e que cada pessoa tem uma missão diferente na sua vida. Esses encontros podem ser breves, longos, pra sempre... o que importa é que eles deixam marcas e uma mudança em você.


E você segue, escolhe outra caneta pra escrever a vida junto, e outra, e outra, e outra...


Elas vão, você fica.


*Texto retirado e adaptado das (minhas) páginas matinais, que são quase um diário, mas que não é bem assim.

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